Templo Liminal

Caverna de Hekate

Seja bem-vindo(a)!

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Salve,

Hekate Deichteira!

Este espaço foi criado com o intuito de ser um templo online/liminal à deusa Hekate. A face guardiã do templo é Hekate Deichteira, um de seus epítetos que significa "professora, reveladora".

Rituais para Hekate eram realizados em cavernas na Antiguidade. Além disso, no mito do rapto de Perséfone, foi Hekate quem ouviu os gritos da jovem deusa de dentro de sua caverna. Portanto, a caverna é um local de grande conexão com Hekate, de aprendizado e acolhimento. Os principais símbolos hekatinos do templo são as chaves, que dão acesso à este espaço liminal e a tocha, que ilumina o nosso caminho.

AMBIENTES DO TEMPLO

Rituais e Devoção

O Salão de Rituais e Devoção é regido por Vênus (relacionamento com Hekate). Aqui você encontrará informações para estruturar sua prática de rituais e devoção à deusa.

Magia

O Altar de Magias é regido por Marte (ação) e aqui você aprenderá receitas mágicas ligadas à Hekate, como óleos, incensos e outros.

Meditação

O Espaço de Meditação é um espaço pequeno e acolhedor, regido por Saturno (introspecção). Voltado para o relaxamento, onde você pode se conectar com Hekate.

Divinação

A Sala de Divinação possui uma aura de mistério, regida pela Lua (habilidades psíquicas). Aqui você aprenderá a trabalhar com Hekate e instrumentos divinatórios, como tarô e bola de cristal.

Podcast

O podcast Caverna de Hekate é regido por Mercúrio (comunicação). Neste espaço falo sobre diferentes assuntos ligados à Hekate. Aqui você também encontrará materiais extras dos episódios.

Estudos

A Sala de Estudos é a base do templo e é regida pelo Sol (consciência, entendimento). Aqui você encontrará livros, blogs e artigos, tanto materiais modernos quanto textos antigos sobre Hekate.

Hekate em Shakespeare

Trechos de Shakespeare em que Hekate é citada

Sonho de uma Noite de Verão (1595–1596)
ATO V, Cena II:
"PUCK — Ruge o leão a cada passo, uiva o lobo para a lua, ressona o campônio lasso, deslembrado da charrua. Consomem-se na lareira as últimas acendalhas; o pio da ave agoureira fala ao doente em mortalhas. Nesta hora da noite escura as pobres almas andejas se esgueiram da sepul- tura rumando para as igrejas. Nós, os elfos, que a parelha de Hécate sempre seguimos, e da luz do sol, vermelha, como num sonho, fugimos, de guarda estamos agora. Nenhum rato, em qualquer hora, a paz deixe perturbada desta casa abençoada. Com vassoura eu vim na frente para limpar o batente e jogar nesta hora morta todo o pó atrás da porta".

Hamlet (1600–1601)
ATO III, Cena II:
"LUCIANO — Pensamentos escuros, droga a jeito, tempo oportuno, mãos para esse feito, ninguém perto... Bebida desprezível, três vezes à meia-noite com a terrível maldição de Hécate mexida: neste corpo despeja os males que escondeste! (Despeja veneno no ouvido do Rei adormecido)".

Rei Lear (1605–1606)
ATO I, Cena I:
"LEAR — Então vai ser teu dote só a tua veracidade. Pois pela sagrada irradiação do sol, pelos mistérios de Hécate e, assim, da noite, pelas grandes operações dos orbes que nos fazem viver e definhar: desde este instante me desligo dos laços consanguíneos, preocupações de pai e parentesco, passando a te considerar como uma pessoa estranha a mim e a meu afeto, de agora para sempre. O cita bárbaro ou selvagem que faz da prole pábulo para o apetite, há de ser mais vizinho do meu seio, acolhido e consolado, do que tu, que não és já filha minha".

Macbeth (1605–1606)
Hekate é uma das personagens:
Descrição da personagem: HÉCATE, deusa grega da lua e da magia
Personagens sem falas: Três Bruxas, acompanhando Hécate

Ato II, Cena I:
"MACBETH — (...)
A natureza parece morta e sonhos tenebrosos
Invadem o sono fechado. A magia celebra
Oferendas à pálida* Hécate e o assassino macilento,
Alertado pelo seu atalaia, o lobo,
Cujo uivo é seu alerta, com passos furtivos,
Como no rapto agiu Tarquínio, em direção à vítima
Move-se como um fantasma. Confiável e fixa terra,
Não ouça meus passos, que caminho seguem, temendo
Que as próprias pedras delatem minha posição,
E removam o horror presente nesta noite,
Que agora se revela! Enquanto tramo, ele vive,
E o calor da ação com gélidas palavras contive".
*Hécate é associada à luz ‘pálida’ da lua.

Ato III, Cena II:
"MACBETH — Já é um consolo, eles são vulneráveis.
Então fique feliz: antes que o morcego alce vôo,
Antes mesmo que a negra* Hécate convoque
O besouro loução com seu zumbido modorrento
Para repicar o apelo bocejante da noite, terá ocorrido
Um ato de terrível memória".
*Macbeth refere-se a Hécate como ‘negra’, depois de haver se referido a ela como ‘pálida’ (Ato II, Cena I). Os aspectos mais tenebrosos da divindade são aqui invocados.

Ato III, Cena V:
"Numa planície próxima ao palácio de Macbeth.
Trovão. Entram as três BRUXAS, encontrando-se com HÉCATE

1ª BRUXA — Que se passa, Hécate, por que está irada?

HÉCATE — E não tenho motivo, bruxas
Insolentes e atrevidas? Como ousam
Negociar e traficar com Macbeth
Encantamentos e questões de morte?
E eu, mestra de seus feitiços,
A secreta origem de todos os males,
Fui chamada para receber minha parte
Ou mostrar a glória de nosso ofício?
E o que é pior, tudo que fizeram
Foi feito para um filho intratável*,
Ingrato e odioso que, como tantos outros,
Interessa-se só por si e não por vocês*².
Peçam desculpas agora. Vão embora,
E nas profundezas do Aqueronte*³,
Encontrem-me de madrugada*4.
Ele virá ansioso para saber seu destino.
Tragam os caldeirões, seus conjuros,
Seus encantos, o que for preciso!
Vou ganhar os ares. Nesta noite
Cumprirei um propósito sinistro,
Que terá efeito até o meio-dia*5.
Da ponta da lua minguante
Pende oculta gota vaporosa*6:
Eu a pegarei e trarei ao chão;
Destilada por passes mágicos,
Levantar-se-ão espíritos sutis*7
Que, pela força da ilusão,
Aprofundarão sua confusão.
Ele negará o destino, desdenhará a morte e prezará
Mais a esperança do que o tino, a graça e o medo.
E, todos sabem, a autoconfiança
É a maior inimiga dos mortais.
        Fora, ouve-se uma música e a canção [‘Venha embora, venha embora’]
Ouçam, sou chamada: meu pequeno espírito, vejam,
Sentado numa nuvem de névoa*8 aguarda por mim.
 [Sai]
1ª BRUXA — Venham, vamos descansar; ela logo voltará.
 Saem".
*Macbeth é tido por Hécate como uma criança malcriada.
*²No original, “loves for his own ends, not for you”. Hécate recrimina as Bruxas por auxiliarem Macbeth em seus intentos, pois ele não é adepto da feitiçaria nem reverencia as potências infernais.
*³Um dos rios subterrâneos que separavam o mundo dos vivos do mundo dos mortos (Hades) na mitologia grega.
*4 No original, “i’th’morning”, i.e., de manhã. Elemento incongruente, pois o poder e a influência de Hécate provém da noite. O termo ‘madrugada’ empregado na tradução – que corresponde a ‘early morning’ - expressa com mais propriedade o duplo sentido da profunda escuridão da noite avançada e também do luscofusco crepuscular, que marca a primeira aparição das Bruxas.
*5 No original, “great business must be wrought ere noon”. Repete-se aqui a incongruência apontada na nota anterior. Literalmente, Hécate afirmaria que ‘o grande trabalho deve ser feito (‘wrought’) antes (‘ere’) do meio-dia’. Todavia, sendo divindade noturna e pela referência seguinte à lua, tal trabalho não poderia ser feito à luz do dia. Torna-se mais inteligível pela interpretação de que este trabalho surtiria ‘efeito’ só até o meio-dia – a hora mais clara e quente -, momento no qual a preponderância das divindades diurnas é absoluta.
*6 No original, “vap’rous drop profound”. Trata-se do ‘virus lunare’, uma espuma que surgiria em certas ervas ou outros objetos quando submetidos a um encantamento na presença da luz da lua, simbolizada por Hécate. Essa idéia é expressa em português no termo ‘gota serena’, muito empregado na linguagem popular do Nordeste brasileiro.
*7 No original, “artificial sprites”. O termo inglês ‘artificial’, no contexto, pode ser entendido como ‘deceitful’, i.e, enganoso, caviloso, capcioso. O termo presente na tradução - ‘sutil’ – foi empregado nessa acepção.
*8 No original, “foggy cloud”. Nesse ponto, a atriz interpretando Hécate seria erguida e transportada para fora do palco por um artefato cênico. A canção serviria possivelmente para encobrir o ruído das roldanas que levantariam a deusa ex machina.

Ato IV, Cena I:
Numa caverna [com um caldeirão fervendo ao centro]
Trovão. Entram as três BRUXAS

1ª BRUXA — O gato malhado miou três vezes.
2ª BRUXA — Três e mais uma o ouriço guinchou.
3ª BRUXA — A Harpia grita, ‘É hora, é hora.’
1ª BRUXA — Rodemos em volta do caldeirão e
Dentro as venenosas entranhas joguemos:
Sapo que sob a pedra fria
Trinta e uma noites e dias
Dormindo transpirou veneno,
Ferva primeiro no pote encantado.
TODAS — Dobrem, dobrem, problema e confusão;
O fogo queima e borbulha o caldeirão.
2ª BRUXA — Filé de cobra das fendas*,
No caldeirão ferva e asse:
Olho de lagartixa*² e dedo de rã,
Lanugem de morcego e língua de cão,
Bicúspide*³ de víbora e ferrão de escorpião*4,
Perna de lagarto e asa de coruja,
Para um feitiço de grande confusão,
Caldo do inferno ferva no caldeirão.
TODAS — Dobrem, dobrem, problema e confusão;
O fogo queima e borbulha o caldeirão.
3ª BRUXA — Escama de dragão, dente de lobo,
Múmia de bruxa*5, bucho e goela
De voraz tubarão marinho276,
Raiz de cicuta*6 cavada no escuro,
Fígado de judeu blasfemo,
Fel de bode e ramo de teixo*7
Fatiado no eclipse lunar*8;
Nariz de turco e lábios de tártaro,
Dedo de nenê estrangulado no parto*9
E deixado na vala por uma puta,
Faz a papa ficar grossa e rija.
Adicione as vísceras de um tigre
Para condimentar nosso caldeirão.
TODAS — Dobrem, dobrem, problema e confusão;
O fogo queima e borbulha o caldeirão.
2ª BRUXA — Resfrie com o sangue de um babuíno*10
Então o feitiço estará bom e firme.

Entra HÉCATE e outras três Bruxas

HÉCATE — Oh, muito bem! Elogio seu esmero,*11
E todos devem dividir seus ganhos;
E agora ao redor do caldeirão cantemos
Como elfos e fadas numa roda*12,
Encantando tudo o que nele foi colocado.
Música e uma canção, ‘Negros espíritos, etc.’*13
 [Saem Hécate e as outras três Bruxas]
(...)"
* Provavelmente refere-se à ‘cobra-lisa-austríaca’ ou ‘smooth snake’ (Coronella austriaca), a única das três espécies de serpentes nativas das Ilhas Britânicas que se esconde em fendas no chão. Porém, não é venenosa.
*² No original, “newt”. Trata-se provavelmente de lagartixa da espécie Triturus cristatus, cuja coloração é similar à ‘salamandra-de-pintas-amarelas’ (Salamandra salamandra). A salamandra era considerada um animal mágico supostamente originário do fogo. Na verdade, refugiava-se durante o inverno em troncos caídos, que levados ao fogo, deles fugia; parecia, assim, que brotava das chamas.
*³ No original, “fork”. Refere-se à língua bipartida da víbora (Vipera berus), a única espécie de serpente peçonhenta da Inglaterra.
*4 No original, “blind-worm’s sting”. Também conhecido como ‘slow-worm’ (Anguis fragilis fragilis), é um lagarto ápode (sem pernas) nativo das Ilhas Britânicas, que era considerado ‘cego’ (blind) devido ser dotado de pequenos olhos com pálpebras. Todavia, não possui ‘ferrão’ (sting). A denominação em português que corresponde a esse animal é ‘licranço’ ou ‘cobra-de-vidro’, mas optou-se por substituí-lo pelo ‘escorpião’, que possui ferrão e é explicitamente venenoso.
*5 As bruxas pretensamente mumificavam partes de cadáveres humanos com propósitos mágicos.
*6 No original, “hemlock”. Refere-se à ‘cicuta-da-europa’ (Coniun maculatum), da qual é extraído um dos mais poderosos venenos vegetais conhecidos.
*7 No original “yew”. O teixo (Taxus baccata), presente nos pátios de muitas igrejas inglesas, é uma planta venenosa. Note-se aqui a menção sutil à antinomia ‘fair-foul’.
*8 O eclipse lunar era considerado o melhor momento para a colheita das ervas mágicas.
*9 Estrangulado pelo cordão umbilical ou morto pelas mãos da mãe.
*10 No original, “baboon”. Animal que na tradição literária personificava tanto a ira como a luxúria, o babuíno ou mandril (Papio ursinos) possui sangue quente, literal e metaforicamente; o fato de seu sangue esfriar a poção das Bruxas explica-se pela contradição demoníaca.
*11 Supõe-se que a fala de Hécate foi escrita pela mesma pessoa que escreveu o Ato III, Cena V, provavelmente Thomas Middleton, e adicionada à peça posteriormente. A comparação da dança das bruxas em volta do caldeirão com a dança de elfos e fadas soa imprópria.
*12 Segundo a tradição, a dança das fadas criaria ‘fairy rings’ (anéis mágicos ou encantados), i.e., círculos de vegetação mais escura em campos e gramados.
*13 A mesma canção aparece na peça “A Bruxa” de Middleton.







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